Perda de libido em mulheres, na maioria dos casos, está associada à fatores externos.

*Os nomes usados são fictícios, a pedido das fontes.

Não é que o amor tenha acabado ou que o interesse no parceiro tenha diminuído. Muito longe disso! E, embora o beijo na nuca ainda cause o mesmo arrepio e o calor que sobe pelo corpo, a cada vez que ele é acariciado seja intenso, quando o assunto é sexo parece que não flui. Trava.

Mas onde está o problema? Na perda de libido, responsável pelo desânimo para iniciar as relações sexuais.

Apesar da resposta ser simples, mexe com todo o sistema nervoso da mulher e é uma realidade dura de ser encarada. “Me sinto péssima”, compartilha Carolina*, de 22 anos, que há pouco mais de um ano sofre com o problema e não sabe onde está o erro. “Todo mundo fala que não é normal. Dizem que nessa idade os hormônios ficam à flor da pele. Nem sei pra onde correr”, explica.

Realmente, a perda de libido em mulheres jovens, como é o caso de Carolina, não é normal. Mas de acordo com a ginecologista Aline Andrade, a ocorrência é muito mais comum do que se imagina. “Os consultórios médicos estão cheios de mulheres que querem melhorar a vida sexual com o parceiro, mas se esquecem que a libido da mulher está ligada a outros fatores não só patológicos (doenças). O desânimo físico, a irritabilidade, principalmente com o parceiro, a depressão e o estresse são alguns dos sintomas”, esclarece.

Em meninas jovens o bloqueio torna-se ainda maior, segundo Aline, pois na falta de diálogo entre mães e filhas, o sexo é encarado como um tabu. “A mãe não aprendeu com a avó, que não ensina para a filha. Tenta poupá-la com medo de que ela inicie as atividades sexuais mais cedo e, quando se trata de famílias muito religiosas, onde o sexo é visto como pecado e só pode ser realizado após o casamento, isso causa constrangimento e o medo do prazer”, exemplifica a ginecologista.

Carolina, que cresceu em cidade pequena e nunca teve liberdade para conversar com os pais sobre sexo, namora há mais de três anos, está há dois meses sem transar e garante que a falta de interesse pelo ato sexual não está atrelada ao parceiro. “O negócio é que sexo pra mim tanto faz. Eu não sinto falta. Quando eu não estou afim, nem dou moral. Mas ele já parou de procurar, porque comecei a sentir dores no momento da relação, fiquei de ir à ginecologista e estou enrolando até hoje por falta de tempo”, conta. A jovem confidencia ainda que desde que iniciou sua vida sexual aos 16, só foi ao ginecologista uma vez.

No caso de Carolina, a doutora aconselha a busca por ajuda médica para diagnóstico e tratamento, pois o transtorno, além de afetar a relação amorosa, pode interferir nas atividades cotidianas da jovem, causando mais estresse e outros danos.

Quando a perda de libido está associada a problemas de saúde

Adriana*, de 21 anos, também sofreu com o mesmo problema de Carolina, mas a forma de encarar a disfunção foi outra.

“Como eu sempre vou à ginecologista de seis em seis meses, eu sou muito aberta com ela e falei que não estava sentindo muita vontade. Ela me pediu para fazer vários exames, entre eles o de testosterona, e foi identificado que eu estava com a libido baixa”, conta Adriana.

Embora seja mais raro, de acordo a ginecologista Aline Andrade, o fator biológico também pode interferir na perda de libido da mulher em casos onde há obesidade, uso de anticoncepcionais, doenças como a diabetes, hipertensão, hipotireoidismo e disfunções hormonais. Contudo, há tratamento e com o tempo a mulher volta à normalidade e melhora sexualmente.

Foi o que aconteceu com Adriana.

A jovem fez o uso do medicamento aconselhado pela médica por três meses e, a partir do 20º dia de tratamento já percebeu a diferença. Fez novos exames que comprovaram que a libido havia aumentado e a jovem pôde perceber na prática. “Eu nem preciso ver meu namorado. A gente conversa ‘bobeirinhas’ pelo celular e, instintivamente, eu já fico doida de vontade de fazer amor”.

Quando foi diagnosticada com a disfunção, Adriana tinha 19 anos, era apaixonada pelo atual namorado e explica que nem assim sentia vontade de ter relações sexuais com ele, embora fosse ativa sexualmente desde os 17. “Eu sempre quis namorá-lo e, na época, a gente estava só se conhecendo. Eu sempre dei a desculpa que ficava sem graça por a gente não estar namorando e falava assim: ‘ah, vai ser ruim se a gente ficar demais sem namorar!’. E ele acreditava, né?! Mas eu não sentia prazer. Não sentia vontade de fazer amor”, conta a jovem.

Embora a menina tenha permanecido em silêncio, a ginecologista Aline Andrade aconselha que o problema seja compartilhado. “A perda da libido deve ser encarada como um problema do casal, já que influencia na relação familiar e social”, explica.

Adriana nunca mais fez uso de medicamentos e compartilha que a vida do casal melhorou muito após o tratamento. “A gente faz muita coisa diferente na cama. Ele sempre aceita o que eu quero fazer. Eu sempre escuto o que ele quer fazer. Estou muito feliz e o amo muito”.

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