Gastronomia, cervejas artesanais e o toque medieval da arquitetura marcam o turismo no país

O fim do verão no hemisfério norte se aproxima, enquanto para nós, do sul, é chegada a hora de nos preparar para o calor. Mas se você tem curiosidade de saber como é um inverno de verdade – ou seja, com um frio que pede casacos e mais casacos – e está com uma reserva para viajar para o exterior, também pode ser a sua hora de planejar aquela visita ao outro lado do atlântico, como o continente europeu.

A Europa é um outro universo a ser explorado, onde é possível fazer um tour por vários países em uma mesma viagem. Se é esse o seu caso, sugiro que você inclua no seu roteiro a Bélgica, país das cervejas, dos chocolates, dos waffles, das batas fritas e de muitas outras delícias que alimentam não só o corpo, mas também os olhos e a alma.

Mas, para embarcar nesta empreitada, você precisa se preparar e ter alguma noção do caminho a percorrer até lá. Por isso, antes de colocar o pé na estrada (ou no ar), coloque os olhos na tela e venha comigo!

Prepare os documentos 

A Bélgica é um país que integra o Tratado de Schengen: um acordo firmado entre países europeus para que os deslocamentos entre eles sejam considerados como viagens domésticas. O acordo ocorreu em junho de 1985, abolindo-se o controle das fronteiras para uma livre circulação de pessoas em todo o espaço compreendido pelos países signatários.

Cidadãos estrangeiros, como brasileiros, que ingressem como turistas ou que possuam um visto para qualquer um dos países membros podem circular livremente pelo espaço. Para isso, você precisará apresentar seu passaporte na imigração belga, além de uma passagem válida para retorno ao Brasil no prazo de 90 dias, documentos que comprovem recursos para despesas diárias – como cartões de crédito e/ou dinheiro da moeda local (lembrando que a Bélgica não estabelece valor mínimo de gastos por dia) – e um seguro-viagem com cobertura de 30 mil euros para o Espaço Schengen.

Há ainda outro detalhe importante. Não há voos diretos do Brasil para a Bélgica. Portanto, é recomendável que se consulte a necessidade da apresentação de outros documentos à imigração do país onde for feita a conexão. Caso este país seja os Estados Unidos, por exemplo, será necessária a apresentação do visto americano para turismo, o que requer um planejamento mais antecipado para a viagem. Depois disso, você poderá seguir para a Bélgica tranquilamente.

Calcule seus gastos 

Na Europa, estima-se que o gasto diário de uma pessoa varie entre 45 e 70 euros. Isto para se alimentar medianamente e visitar uma ou outra atração. É claro que isso pode variar, caso você opte por ir aos restaurantes mais caros, fazer compras e conhecer todas as atrações. A Bélgica, entretanto, não figura entre os países mais caros, como a França. Portanto, seus gastos nesses país não devem ultrapassar muito os 70 euros. Vale lembrar também que, quando você exagera muito nos gastos de um dia, pode compensar facilmente no outro.

Para calcular os seus gastos, é importante você verificar três itens básicos: restaurantes, atrações e transportes, considerando que você já fez a reserva prévia de sua estadia em um hostel ou hotel. Assim, vale pesquisar, antes de sair de casa, onde quer comer; os meios de transporte que irá utilizar para ir aonde quer, bem como os valores que gastará com cada um; e o valor das atrações locais (museus, passeios, shows, etc.) que deseja visitar, inclusive, as entradas para muitas delas podem ser adquiridas pela internet, antes da viagem.

Dica: faça a reserva de um hostel/hotel que fique próximo ao centro de Bruxelas, assim você irá economizar com o transporte, podendo visitar muitos lugares à pé. Existem diversos sites de reservas online para que você possa pesquisar e já se livrar desta preocupação. Só não se esqueça de checar as avaliações de outros viajantes sobre o local que escolher, em especial, quanto à segurança e higiene. Se você estiver procurando uma viagem mais badalada e optar pelos quartos coletivos de hostels, redobre a atenção, pois é bastante comum a ocorrência de furtos.

Coloque o pé na estrada 

Passada a parte burocrática, é chegada a parte boa. Para conhecer Bruxelas, você deverá começar pelo coração dela o Grand Place. Uma opção interessante, caso queira ter um guia para esse passeio, é participar do Free Tour, um serviço oferecido em diversas capitais da Europa, que funciona assim: ao final do passeio você paga a quantia que achar mais adequada ao guia. Há duas opções de idiomas nesse serviço: o inglês e o espanhol.

Grupo de turistas utilizando o serviço Free Tour no Grand Place, em Bruxelas (Foto: Geovana Nascimento)
Grupo de turistas utilizando o serviço Free Tour no Grand Place, em Bruxelas – Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)

Você não precisa fazer reserva para o Free Tour antecipadamente. Ao chegar ao Grand Place pouco antes das 9 horas da manhã, você verá os guias utilizando guarda-chuvas vermelhos. Então, é só mandar um “Hello, I am from Brazil”, que eles vão te orientar sobre o funcionamento e outras opções do serviço. Neste tour, você verá os principais pontos turísticos de Bruxelas, tais como Manneken Pis (estátua em bronze de um menino a urinar para a bacia de uma fonte), galerias e museus.

Monumento do Manneken Pis, em Bruxelas - Bélgica (Foto: Juliana Nascimento)
Monumento do Manneken Pis, em Bruxelas – Bélgica. Esse símbolo curioso da cidade tem diversas histórias sobre sua origem (Foto: Juliana Nascimento)

 

Galeries Royales Saint-Hubert, em Bruxelas - Bélgica. Nesta galeria, encontram-se diversas marcas famosas de chocolates belgas, tais como Leonidas, Godiva, Neuhaus, Mary, dentre outras (Foto: Geovana Nascimento)
Galeries Royales Saint-Hubert, em Bruxelas – Bélgica. Nesta galeria, encontram-se diversas marcas famosas de chocolates belgas, tais como Leonidas, Godiva, Neuhaus, Mary, dentre outras (Foto: Geovana Nascimento)

 

Street Art em quadrinhos nas ruas de Bruxelas. A Bélgica é o país com a maior concentração de artistas quadrinistas do mundo, são mais de 700 autores. De lá, saíram Os Smurfs e o repórter investigativo de As Aventuras de Tintin (Foto: Geovana Nascimento)
Street Art em quadrinhos nas ruas de Bruxelas. A Bélgica é o país com a maior concentração de artistas quadrinistas do mundo, são mais de 700 autores. De lá, saíram Os Smurfs e o repórter investigativo de As Aventuras de Tintin, retratado nesta imagem (Foto: Geovana Nascimento)

Se estiver procurando um lugar para comer na região central de Bruxelas, vá até a Rue des Bouchers, que é uma rua estreita onde há vários restaurantes, um ao lado do outro, nos quais você certamente encontrará o famoso prato típico Moules Frites, que são mexilhões servidos com batatas fritas. Outro prato típico que você precisa comer em Bruxelas é o Waffle.

Na Rue Neuve, também no centro, você encontrará diversos lugares especializados na venda de waffles, que no francês, idioma local, é chamado gaufre. É parar em um, comer e ser feliz. Nesta mesma rua, há um complexo de diversas lojas – como H&M, Tommy, Primark, etc. – onde você poderá fazer compras, caso seja de seu interesse.

Distante do centro de Bruxelas, há também outros pontos convidativos. O Distrito de Laeken é um deles. Na região, você irá visitar o monumento conhecido como Atomium,  o Castelo Real de Laeken e Estufas Reais de Laeken, a Igreja Notre Dame de Laeken, a Torre Japonesa e Pavilhão Chinês e o Monumento Rei Leopoldo I.

Construído em 1958, o Atomium possui 103 metros de altura e representa um cristal elementar de ferro. As esferas de ferro com cerca de 18 metros de diâmetro estão ligadas por tubos com escadas no seu interior com um comprimento de cerca de 35 metros. As janelas instaladas na esfera do topo oferecem aos visitantes uma vista panorâmica da capital da Bélgica.
Construído em 1958, o Atomium possui 103 metros de altura e representa um cristal elementar de ferro. As esferas de ferro com cerca de 18 metros de diâmetro estão ligadas por tubos com escadas no seu interior com um comprimento de cerca de 35 metros. As janelas instaladas na esfera do topo oferecem aos visitantes uma vista panorâmica da capital da Bélgica. (Foto: Geovana Nascimento)

No fim do dia, recomenda-se que você faça uma parada obrigatória em um bar onde possa experimentar uma cerveja belga. O Delirium Cafe, localizado próximo ao Grand Place, é um dos mais famosos, lá você encontrará mais de 3.000 opões de rótulos para escolher. Outras opções são o Mappa Mundo, o Le Roy des Belges e o La Mort Subite, este último para quem está procurando uma balada local.

O Delirium Café é um dos bares mais famosos de Bruxelas - Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)
O Delirium Café é um dos bares mais famosos de Bruxelas – Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)

Ouse com apenas um passo 

Bruxelas é uma cidade interessante, mas há outras cidades belgas que podem (e devem) ser visitadas, tais como Bruges, Ghent e Antuérpia. Bruges é uma das mais recomendadas. A pequena cidade mais parece um set cenográfico para filmes medievais e esse charme das construções não é por acaso. Por volta de 1870, o Conselho de Bruges contratou o arquiteto Louis Delacenserie para dar este toque medieval aos monumentos da cidade e, assim, ela foi totalmente reestruturada para causar encanto aos turistas.

A cidade de Bruges, na Bélgica, possui arquitetura medieval para atrair turistas (Foto: Geovana Nascimento)
A cidade de Bruges, na Bélgica, possui arquitetura medieval para atrair turistas (Foto: Geovana Nascimento)

O Free Tour também oferece um serviço para a cidade, que pode ser previamente agendado quando fizer o passeio com o grupo pelo centro de Bruxelas. Um guia será disponibilizado para acompanhar você e outros interessados em um tour que mostrará os locais mais importantes de Bruges, como: a Basílica do Sangue Sagrado, a Belfry (torre de 83 metros), a Beguinage (casa das beguines), Swan (a lenda dos cisnes), Café Vlissinghe (o bar mais antigo de Bruges), Church of our lady (onde há a estátua de Michelangelo: Madonna and Child), Minnewater (The Lake of Love ou o Lago do Amor), dentre outros.

Belfry, torre de 83 metros localizada em Bruges, na Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)
Belfry, torre de 83 metros localizada em Bruges, na Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)
Beguinage, a Casa das Beguines. As beguines foram mulheres que, por volta de 1200, alegavam serem esposas de Jesus. Elas foram rejeitadas pela Igreja Católica e passaram a ter uma vida religiosa independente. Não há mais beguines, mas o local continua exclusivo para mulheres e, após às 18h30, a entrada de homens não é mais permitida (Foto: Geovana Nascimento)
Beguinage, a Casa das Beguines. As beguines foram mulheres que, por volta de 1200, alegavam serem esposas de Jesus. Elas foram rejeitadas pela Igreja Católica e passaram a ter uma vida religiosa independente. Não há mais beguines, mas o local continua exclusivo para mulheres e, após às 18h30, a entrada de homens não é mais permitida (Foto: Geovana Nascimento)

 

Acredita-se na lenda de que a presença dos cisnes nos lagos de Bruges seja em razão da execução de Pieter Lanchals, um dos administradores da cidade. O significado do sobrenome dele era “pescoço longo” e o brasão de armas da família Lanchals era um cisne. Assim, o imperador "amaldiçoou" a cidade a sempre ter estas aves em seus lagos. (Foto: Geovana Nascimento)
Acredita-se na lenda de que a presença dos cisnes nos lagos de Bruges seja em razão da execução de Pieter Lanchals, um dos administradores da cidade. O significado do sobrenome dele era “pescoço longo” e o brasão de armas da família Lanchals era um cisne. Assim, o imperador “amaldiçoou” a cidade a sempre ter estas aves em seus lagos. (Foto: Geovana Nascimento)

 

O Minnewater, The Lake of Love ou Lago do Amor também recebeu esse nome em homenagem a uma lenda de Bruges - Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)
O Minnewater, The Lake of Love ou Lago do Amor também recebeu esse nome em homenagem a uma lenda de Bruges – Bélgica (Foto: Geovana Nascimento)

 

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