Disponível apenas em sites específicos*, o coletor menstrual está se tornando cada vez mais popular entre as mulheres. Entre as justificativas, o desconforto, alergias e doenças causadas pelos absorventes tradicionais, e preocupações socioambientais e econômicas.

Elisamara Ximenes, 22 anos, estudante de jornalismo (Foto: arquivo pessoal)
Elismara Ximenes, 22 anos, estudante de jornalismo (Foto: arquivo pessoal)

“Eu precisava trocar o absorvente várias vezes ao dia e ficava muito assada. Era um incômodo muito grande e, constantemente, vazava na roupa”, compartilha a estudante de jornalismo Elismara Ximenes, de 22 anos, que, há 9 meses, substituiu o absorvente comum pelo coletor menstrual.

A tomada de decisão veio após a jovem ler uma matéria explicando que o uso do coletor poderia ajudar a diminuir suas crises de candidíase. A doença, causada pelo fungo Cândida Albicans, encontrava no absorvente o lugar perfeito para se proliferar – quente e úmido – e, a cada ciclo menstrual, era também motivo para uma nova crise de candidíase incomodar Elis.

Além dos motivos listados pela estudante, a fotógrafa de 23 anos, Denise Saenz, conta que levou em consideração questões socioambientais. “O absorvente polui o meio ambiente. São muitos pacotes por ano para cada mulher. Imagina a quantidade de lixo que isso produz!”, explica a fotógrafa.

Denise Saenz, 23 anos, fotógrafa (Foto: arquivo pessoal)
Denise Saenz, 23 anos, fotógrafa (Foto: arquivo pessoal)

A observação é válida, uma vez que, segundo pesquisa, nós brasileiros produzimos cerca de 200 toneladas de lixo por dia. Com o uso do coletor menstrual, estimado a durar entre 5 e 10 anos, além de poupar o bolso, ainda é uma forma de contribuirmos com o meio ambiente. “Eu acho que compensa financeiramente, ecologicamente e é muito interessante que o uso do coletor se popularize”, instiga Denise que, há três ciclos, optou por incluir o coletor menstrual em sua rotina.

Embora o aparelho, feito de silicone hipoalérgico e antibacteriano tenha sido criado na década de 30, só agora as mulheres têm tido maior contato e curiosidade com o ‘copinho’ que promete conter o sangue e proporcionar maior sensação de liberdade. A dificuldade do produto se popularizar, segundo a ginecologista Nayara Cury, de 33 anos, é o próprio retrato da cultura em que estamos inseridos. “Vivemos em um mundo cheio de preconceitos e tabus, onde o absorvente externo é o mais comum e mais fácil de ser comprado. Porém, o coletor é a melhor opção para quem já teve reação alérgica a outros tipos de absorventes e deseja praticidade e economia“, aconselha a médica.

Questão de se adaptar ao novo

Tanto Elis, quanto Denise, se queixaram da primeira experiência que tiveram com o coletor menstrual, mas ambas explicam que tudo é uma questão de se adaptar ao novo.

“No primeiro dia em que eu usei, por não conhecer o tamanho do meu colo (de útero), o cabinho me machucou. O coletor tinha ficado grande e o cabinho ficou para fora. Mas aí eu cheguei em casa, cortei, fervi de novo, coloquei e foi sucesso”, brinca Elis. “Nada demais, só um incômodo mesmo”, explica.

Com Denise, a situação foi parecida. Ela, que não usava nem absorvente interno, teve um pouco de receio e dificuldades em incluir o coletor menstrual na rotina. “Eu tinha ‘super medo’ de usar o coletor porque é um exercício de toque. Você não conhece seu corpo de fato. E é um processo muito legal. É um processo de empoderamento usar o coletor, porque é bem libertador”, compartilha.

Por falar em liberdade, Elis destaca o prazer de poder entrar em uma piscina e dormir sem calcinha estando ou não menstruada. “Eu usei absorvente interno uma única vez e fiquei muito incomodada. Troquei várias vezes. Passei o dia no rio e foi muito chato. Com o coletor entro na água bem tranquila”, conta aliviada.

Dica de especialista

ginecologista - coletor menstrual
Nayara Cury, 33 anos, ginecologista e obstetra (Foto: arquivo pessoal)

Praticidade, conforto, sustentabilidade e economia. A ginecologista Nayara Cury é objetiva na hora de listar os pontos positivos do produto. As únicas ressalvas que a médica faz é quanto ao uso do coletor menstrual em mulheres virgens e em situação de pós-parto. “Não existem contraindicações, porém não é aconselhável, pois ao colocar ou retirar o coletor, o hímen pode se romper. No pós-parto, é imprudente, pois a vagina ainda está sensível e machucada devido ao procedimento e o uso de coletores pode piorar a situação aumentando as chances de infecções pela manipulação constante na área já sensível”, explica.

Sem histórico de efeitos colaterais, Nayara apenas aconselha que a higienização seja feita de maneira adequada para que o coletor não provoque infecções e nem lesões. “Se a mulher tiver uma predisposição à doenças fúngicas e não fizer a higienização do coletor corretamente, pode correr o risco”, afirma a especialista. “Ele deve ser lavado com água fria e sabão neutro e, a cada ciclo, o ideal é limpar com água fervente”, aconselha.

Nayara Cury é ginecologista e obstetra, especialista em Ginecologia Oncológica, e atua como clínica geral no Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO).

*O coletor menstrual pode ser encontrado no site www.vaidecopinho.com.br. Lá é possível encontrar dicas para escolher o tamanho adequado, como utilizar e outras informações sobre o produto.
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