Sem despertador, meu relógio biológico me acordou às 7h da manhã para avisar que já era hora de me aprontar para o trabalho. Como num susto, abri os olhos e, de imediato, peguei o celular para ver o que havia acontecido na minha timeline enquanto eu dormia. Para minha surpresa, enxerguei na tela: “domingo, 6 de novembro”. Voltei a dormir.

Já era mais de 13h quando me coloquei de pé e a primeira coisa que botei no estômago foi um pão de mel (tão mais gostoso do que aquele pão integral com queijo fresco, que eu costumo comer para não fugir da dieta). Mas era domingo, comi sem peso na consciência.

Daí, parti para o meu ritual de todos os dias: lavar o rosto, escovar os dentes, colocar as lentes de contato e, por fim, me encarar no espelho. Sorri. Foi tão bom me olhar e perceber que era domingo, que aquele cabelo bagunçado poderia permanecer assim e que eu nem precisaria trocar o pijama – ainda mais com o tempo chuvoso, lá fora, tão convidativo a voltar para cama. Sorri de novo.

Procurei, na TV, um filme que fizesse chorar, mas não chorei. Sorri. Só então decidi que já era hora de tomar um banho e substituir o pijama por um look do dia mais atraente. No entanto, me resumi ao par de havaianas, um short jeans e uma camiseta velha.

Era domingo, tudo pode. Não há preocupação se as cores e estampas combinam, se a roupa, o sapato e a bolsa estão em harmonia, se aquele look confortável e que você tanto gosta, está ultrapassado demais pelo que dita a moda. Que felicidade, não?

Que delícia não precisar domar o cabelo em um rabo bem preso. Que delícia não precisar esconder o rosto inchado de tanto dormir. Que liberdade poder ser eu mesma pelo menos aos domingos!

Não segurei o riso, até que ele se transformou numa gargalhada gostosa, que foi se dissolvendo aos poucos. Liguei o f@da-se e decidi fazer ‘domingo’ todos os dias.

Quando for de sol, que eu floresça. Nos de chuva, que eu me guarde. Mas que em todos os ‘domingos’ eu me permita ser quem e como eu sou, de acordo com as minhas vontades.

Muito mais do que qualquer roupa, sapato ou acessório bonitos, fazer as pazes consigo mesma é ainda a melhor forma de se enxergar bonita. A beleza é além. Vá além. Seja feliz!

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