Eu sabia e tinha plena consciência de que este dia chegaria, mas de alguma forma bloqueei isso da minha mente. Pensei que estava preparada para passar oito longas horas longe da minha Cecília. Estava redondamente enganada.

Visitar os berçários não foi tarefa fácil e só fiz isso quase no fim da prorrogação. Tive certeza que sou chata e exigente. Me preocupei em olhar os mínimos detalhes e demandei mais atenção aos olhares das professoras ao conversar sobre como funciona a rotina das escolas e das crianças.

Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016, foi combinado como a data para o teste da Cecília no berçário. Recebi uma lista com as coisinhas dela que devia levar. Não foi nada fácil separar, escrever seu nome e arrumar tudo dentro da malinha e, ao mesmo tempo, olhar para ela brincando sem entender por que a mamãe chorava copiosamente.

Enfim, a segunda chegou e lá fomos nós três. Felipe, Cecília e eu para o berçário. Nunca apertei tanto o meu bebê. Hesitei e não a entreguei a tia Rosalina que, carinhosamente, estendeu os braços para pegá-la.

Só tive coragem de entregar meu bebê quando vi a tia Lara e não tinha mais como fugir. Saí do berçário segurando as lágrimas, mal entrei no carro e me desmanchei. Ia ficar longe da minha Cecília por apenas duas horas, mas foi o fim para mim. Cheguei no meu prédio com os olhos vermelhos e cheirando a fralda dela.

O apartamento de dois quartos parecia um tríplex. Tudo ficou enorme e, para completar, tinha brinquedo para tudo que era lado. Fui coar um café e tive como companhia as lágrimas que caíram sistematicamente.

O celular quase descarregou de tanto que eu olhei as horas que teimosamente passaram se arrastando. Li, chorei, ouvi música. Chorei de novo, assisti TV. Chorei mais um pouco e, finalmente, deu a hora de ir buscá-la. Naquele momento criei asas nos pés. A vontade de chegar tornou a caminhada mais intensa.

Chegando no berçário encontrei minha pequena chorando de soluçar. Tinha dormido, tomado banho, mas não quis mamar a mamadeira. A tia Lara arrumou um banco e lá mesmo amamentei minha Cecília. Ao final, a trouxe para casa.

A felicidade de voltar com ela se compara a de quando saí da maternidade em julho do mesmo ano. No outro dia lá fomos nos novamente e de novo, e outra vez, e esta tem sido a nossa nova rotina. Afinal, voltei a trabalhar e a pequena precisa socializar com outras crianças.

Enfim, esse foi só mais uma entre tantas “separações” que teremos ao longo da vida. No entanto, não é porque são muitas que serão fáceis. Com certeza ainda devo chorar muito.

Sobre as minhas lágrimas, acredito que elas mereçam um texto só para elas.

Leia o primeiro texto da autora:

A primeira vez em que dormimos em quartos separados