A decisão sobre qual o melhor momento para engravidar não foi uma tarefa fácil. Foi preciso levar em consideração todos os detalhes. A chegada de um novo membro implica em dedicação, paciência, amor e dinheiro – afinal, as despesas não são brincadeiras e terceirizar qualquer um dos itens, na minha opinião, não é legal.

Felipe e eu, desde o namoro, sempre conversamos sobre ter filhos. Se dependesse dele, já teríamos tido o primeiro desde que casamos. Mas eu enrolei, confesso.

Em 2015, tivemos uma conversa ‘definitiva’, e após voltar da viagem de férias eu deixaria de tomar anticoncepcionais e iriamos engravidar.

Antes fui à minha médica, expliquei as nossas intenções e ela passou um monte de exames. É exame ‘com gosto’. Ela também receitou ácido fólico e me deu o seguinte conselho: “desencana e namore muito”. Seguimos à risca as dicas.

Outra consideração dela foi que, como eu fazia o uso de contraceptivos há alguns anos, poderia ocorrer uma ‘menstruação bagunçada’ e, também, o ganho ou a perda de peso. “Tudo bem”, pensei.

Em outubro viajamos, descansamos e, quando voltamos, continuamos a nossa vida. No entanto, em novembro os casos de microcefalia no Brasil ganharam destaque mundialmente. Felipe e eu perdemos o chão. Afinal de contas, o que fazer? Adiar o sonho de sermos pais? Ou encarar a situação e seguir em frente?

Foram dias de muita conversa entre nós e com nossos pais, irmãos, amigos, familiares e quem mais pudéssemos falar sobre o assunto. As poucas informações eram desencontradas, desconexas e a aflição tomou conta.

Minha mãe conversou com pediatras, ginecologistas, obstetras, neurologistas e até cardiologistas. Todos eram unânimes e orientavam que o melhor seria esperar: “mas esperar o quê? Por quanto tempo?”.

O assunto microcefalia passou a ser pauta constante no meu dia a dia. Em casa, no trabalho e, até, nas horas vagas. Um dia comentei com o Felipe que ia voltar a tomar anticoncepcionais, mas ele não concordou e pediu que a decisão fosse conjunta.

Nesta mesma semana fomos à casa dos meus pais. Papai vendo minha aflição falou: “filha, senta aqui e vamos conversar”. Eu desabafei. Falei dos medos e ao mesmo tempo da vontade de ser mãe. Contei que adiar a gravidez seria o mais prudente, mas que não sabíamos o que fazer (…).

Papai com toda a serenidade deste mundo, olhou para a imagem de Nossa Senhora Aparecida que ele tem em um altar na sala de televisão e soltou: “Minha filha, nós não sabemos dos planos de Deus para a gente. Confie e ore”. Nunca vou me esquecer desse dia.

E realmente os planos de Deus são em um tempo diferente do nosso, e eu nem poderia imaginar que àquela altura eu já estava grávida.

Mas, no melhor estilo “novela mexicana”, no próximo post eu conto tudo o que eu aprontei e como eu descobri a gravidez da Cecília.

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