A história é simples: ela é a primeira pessoa que você manda uma mensagem para contar novidades, sejam boas ou ruins. É sua confidente, vocês estão sempre perto, sabem cada detalhe da personalidade uma da outra, se ajudam; se entendem, compartilham… enfim, sua melhor amiga. Mas, acredite, até que a viajem as separe.

Se sua melhor amiga é também a melhor companhia para viajar, aproveite, você tem sorte. Porque não é sempre assim.

Viajar é também uma descoberta interna. É desfrutar do novo em locais, pessoas, sabores e, mais do que tudo, de você mesma. A relação mais próxima e sincera pode não dar certo por causa de viagem, justamente, por exigir um momento seu… E também a partilha de individualidades.

A fórmula para dar errado é simples: você quer explorar. A outra quer sentar no mesmo bar todos os dias e ouvir as mesmas músicas.

Você quer bater um papo com uma galera legal. Ela quer o barulho das baladas.

Você quer desfrutar das ruas e ela dos museus. Você quer museus, ela quer bar. Você até quer tudo o que ela quer, mas em horários diferentes. Ela quer exatamente o contrário. O meio termo é algo perdido. Bem longe do meio caminho.

Podem até existir casos piores: você quer muito ir, a pessoa só quer. E, diferente de você, não vai se jogar para aproveitar mesmo assim. Ou ela não é sincera o suficiente para dizer o “não”. E na hora do tão conhecido “vamos ver”, ela simplesmente te deixa na mão, sem sequer entender como é importante para você. Cria-se a frustração.

A culpa não é sua. A culpa não é dela. Vocês só nasceram para ter a melhor amizade, não as melhores histórias de viagem. Insistir nisso pode transformar seus dias em pesadelo: na viagem, na volta dela e, até, os dias de não-viagem.

Quem é a melhor companhia?

A melhor companhia é aquela que entra no mesmo ritmo que você. Que consegue conversar, ser honesta, prática, que se dedica, se importa e consegue dizer “chega” e “vamos” na mesma intensidade.

A melhor companhia sabe a hora do silêncio e a de conversar sem parar. Vai rir quando tudo estiver dado errado.

A melhor companhia de viagem vai entender que sua melhor companhia é você mesma e que ela está ali para curtir junto. E vai entender que você pensa da mesma forma.

Minha história

Fui convidada para participar deste Blog para falar das minhas experiências. Então vamos a ela!

Eu e Ju em nossa passagem por Malahide, na Irlanda

Provavelmente, o apelido Ju, para Juliana Gontijo, vai aparecer muitas vezes aqui. Então, vamos apresentá-la! A fotógrafa “Ju” não é minha melhor amiga da vida, mas é minha melhor companhia de viagem.

Descobri em uma viagem para o litoral com outras cinco meninas – que acabou em uma tatuagem torta, que eu chamo carinhosamente de “Patrick, o simpático”.

As demais companhias são pessoas especiais por quem, entre um problema ou outro, tenho muito carinho. Viajar com elas foi extremamente divertido, mas em um determinado momento eu não queria mais ficar ali, olhando para a mesma praia, ouvindo as mesmas músicas, vendo as mesmas pessoas e esperar o “dia da balada”. Havia tanta coisa a ser descoberta, e eu decidi que ia fazer isso. Ju logo se prontificou a ir também.

Entre ônibus, perguntas de direção, novas praias, amizade com o tio da barraquinha. Baixar o Tinder, encontrar o menino do Tinder, sair com ele para fazer um tour, banho de mar, cervejas, gastar todo o dinheiro que tínhamos em mãos e fazer ele levar a gente na cidade mais próxima para ir ao banco e, enfim, ir embora… Descobri que ela estava de coração aberto para se jogar tanto quanto eu ou, às vezes, até mais.

Quando voltamos para Goiânia, nós não nos tornamos as melhores amigas. Um dia postei no Facebook alguma matéria sobre período sabático e intercâmbio, descrevendo meu sonho em seguir esses passos. Ela me chamou com a seguinte mensagem: “Ou vamos viajar? Vamos fazer isso? Tô falando sério! Bora para Barcelona. A gente faz um mochilão e fica lá. Também não tenho dinheiro, a gente dá um jeito (sic)”.

A partir daí foram várias reuniões, encontros, estudos e pesquisas. Barcelona não deu certo. Nada que desanimasse. Fomos para Irlanda. Tive na companhia dela a parceria perfeita para que eu me tornasse minha melhor companhia.

Ela foi embora antes e eu comecei minha jornada sozinha por lá.

Depois, voltei para o Brasil.

Ficamos entre devaneios, conversas sobre readaptação e lembranças.

Nós não saímos todos os fins de semana para o bar. Não conversamos todos os dias. Não trocamos confidências. Um dia ou outro tentamos fazer viagens curtas juntas, nada que desse certo.

Um dia qualquer ela me mandou uma mensagem dizendo que “precisava” viajar e questionou se eu não. Soltou um “vamos para algum lugar”. Contei de possíveis planos para o meu período de férias e que cheguei ao destino Colômbia.

Ju questionou o porquê da Colômbia. (Narcos, Gabriel García Márquez e Shakira!) Mandei o que havia pesquisado sobre o País, cidades, o que me atraia a Colômbia.

Foram várias horas de silêncio até a próxima mensagem: “vamos para Colômbia, mas acho que dá para gente ir para San Andres (a ilha), sim.”

Nasceu roteiro, viagem, orçamento, possibilidades, conversas, pesquisas, muitas pesquisas e as tão adoradas tabelas dela.

Na próxima quarta-feira (5) embarcamos.

Vocês são muito parecidas

No fim, o que importa não são as confidências trocadas, mas a abertura para se divertir em todas as situações.

Tanto quanto um leão e um tubarão, temos em comum a fome por viajar, pela descoberta. Mas ela é calmaria. Eu sou furacão. Ela acorda no ritmo de Bob Marley. Eu sou uma mistura de Paola Bracho com Supersonic. Ela é peito de frango e eu sou 100% bacon…

Poderia fazer uma lista enorme de contradições.

Seria hipócrita se não falasse de gostos parecidos por música, museus, ruas, sorvete, caminhadas, lojinhas, fotos divertidas… Mas isso não seria nada se não tivéssemos como única preocupação a descoberta. Se não compreendêssemos que somos a segunda companhia uma da outra. A primeira será sempre nós mesmas.

Ps.: Eu só fico muito chateada, muito chateada mesmo quando eu fico, praticamente, calada por estar com raiva e ela não percebe. Isso me tira do sério!

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